Enquanto grande parte do povo
passa fome eu procurei meditar um pouco sobre a simbologia da páscoa e toda a
doce fartura comercial desse período. Perdida em meus pensamentos lembrei-me da
primeira vem em que comi ouro. Foi na páscoa, quando no Fest Noivas 2009 em
Fortaleza-CE, na companhia de Fábia Soares e Albetiza Leite visitamos o estande
da Chef Pâtissier (mestre em
confeitaria) Luzieh doces finos. Alguns meses depois, participei de um workshop
com o chef André Falcão em Recife-PE.
Na oportunidade o mesmo exibiu um documentário com o chef Tommy Wong, que se põe a sofisticação como aposta em
contramão da recessão. E foi lá que mais uma vez degustei docinhos decorados
com folha de ouro.
Não é realidade minha, nem da minha maior clientela, mas a curiosidade foi maior e resolvi aprender como eram decorador aquelas reluzentes miniaturas comestíveis. Comer ouro é puro delírio ou ostentação de novos ricos? Nada disso. Explica Tommy Wong: na culinária oriental come-se primeiro com os olhos e paga-se a preço de ouro por todo o luxo. Sob o ponto de vista médico a porcentagem de ouro usada na culinária não oferece qualquer risco, uma vez que consumido em pequenas quantidades e trata-se de um metal inerte, que não é absorvido pelo organismo.
Não é realidade minha, nem da minha maior clientela, mas a curiosidade foi maior e resolvi aprender como eram decorador aquelas reluzentes miniaturas comestíveis. Comer ouro é puro delírio ou ostentação de novos ricos? Nada disso. Explica Tommy Wong: na culinária oriental come-se primeiro com os olhos e paga-se a preço de ouro por todo o luxo. Sob o ponto de vista médico a porcentagem de ouro usada na culinária não oferece qualquer risco, uma vez que consumido em pequenas quantidades e trata-se de um metal inerte, que não é absorvido pelo organismo.
Sempre gostei de ler sobre
mitologia grega e naquele momento lembrei-me do Rei Midas que teve de Dionísio
o privilegio de transformar em ouro tudo que tocasse. O primeiro instante foi
de deslumbramento, tudo era transformado em ouro. A desagradável surpresa veio depois.
A colher com que ia me alimentar e a própria comida transformou-se em ouro,
colocando-a diante a terrível perspectiva de morrer de fome. A lenda grega e os
ricos docinhos me levaram a mesma conclusão. Não é a toa que o Rei Midas é
representado com um par de orelhas de burro. Nem sei explicar o que senti
naquele momento. Eu ali comendo ouro e o mundo inteiro morrendo de fome.
O ouro é símbolo da riqueza, do
poder, da glória e da vaidade humana. Em seu nome muito suor foi roubado, muito
sangue derramado e muitas famílias dividiram-se. Até mesmo Jesus Cristo foi
trocado por moedas de ouro. Se desde sedo aprendêssemos que precisamos de um mínimo
de bens materiais para viver com dignidade. É preciso ter claro que não é
comendo ouro que seremos mais felizes, nem festa alguma se tornará melhor por
ter ouro na composição do seu cardápio. Muito pelo contrario, trata-se de mais
uma das perigosas ciladas contra a nossa vaidade adormecida.
Por outro lado fico pensando se
meus clientes resolvessem querer folhas de ouro reluzindo suas mesas de doces,
como símbolo de ostentação a riqueza. Nada eu poderia fazer se não as suas
vontades. Sou paga para realizar sonhos e no fascinante mundo das festas,
existem clientes com e sem dinheiro e com gosto para tudo. E eu como sempre
estou às ordens.
Jaqueline de Góis

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