domingo, 29 de julho de 2012

É uma questão de Prioridade.


Certa vez um candidato estava a visitar eleitores em uma comunidade na zona rural e um dos moradores humildemente no momento das perguntas levantou a mão e exclamou: tenho uma pergunta ao candidato! Pois não, diga o nome do senhor e em seguida fique a vontade para perguntar. Meu nome é Damião. Nascido e criado aqui nessa localidade. Os calos em minhas mãos mostram o que sempre meu pai me ensinou desde pequeno. Meu velho pai me ensinou a trabalhar no pesado, plantando e colhendo. Sonhando com chuva para a lavoura não perder. Esses calos em meus dedos sofridos e essa pele velha e enrugada mostram uma pessoa velha por fora, maltratada pelo sol do dia a dia. Candidato confesso ao senhor que sou sofrido e nunca precisei de político nenhum, até uns meses atrás. 



Minha filha mais nova adoeceu e como não sabia do que se tratava procurei o posto de saúde aqui da comunidade. Chegando lá me deparei com o posto trancado. Perguntei a um vizinho do prédio e ele me disse: “Cumpade, aqui não tem médico atendendo já tá com mais de mês. Leve sua menina para a rua se não ela desfalece aqui mesmo”. Assim eu fiz candidato: Peguei o carro da linha e foi logo no amanhecer do dia, só eu e minha caçula. Fui direto ao hospital. Ela foi atendida depois de muita espera e o médico sem muito olhar para a menina receitou um remédio e na única vez que olhou para mim só babujou: “duas vezes ao dia, se não melhorar volte.” Saí do hospital com aquela receita na mão e minha menina fraca das pernas. Na primeira farmácia perguntei o preço do medicamento e o rapaz disse que custava quarenta e oito reais. Eu só andava com o dinheiro para retornar para o sítio. O homem da farmácia foi até gente boa, pois alertou: “Passe na secretária de saúde que esse medicamento eles dão de graça. É só o senhor apresentar a receita.” Caminhava mais alegre cheio de esperança, ora ia conseguir o remédio e voltar com hora de terminar minhas coisas no sítio. Me errei. 

Cheguei já perto das dez horas, próximo da hora do carro sair. Contei o caso e uma mulher lá não queria me entregar o remédio, disse que não era dia de entregar remédio. Eu disse: “Traga já esse remédio que a menina tá precisando. Se você não trouxer esse medicamento vou reclamar com o prefeito.” Ela viu que eu não estava de brincadeira e na mesma hora pediu desculpas e de deu o santo remédio de minha menina. Indo pegar o carro para voltar para minhas terras sismei de passar na prefeitura e reclamar diretamente ao prefeito, tanto da falta de médico lá em minha comunidade, quando das formas mal educadas que me trataram lá no hospital e na secretária de saúde. Ao me aproximar percebi logo que sucesso não ia ter. 

Perguntei a um sujeito que estava na frente do prédio: “Amigo, o prefeito está?” “Tá não” respondeu o abusado de chapéu que deveria estar mais encabulado que eu. “Se aqui existir prefeito, esse por aqui eu nunca vi, eu só vejo falar.” Completou a resposta. Naquela situação pensei com meus botões: “Bem, pelo menos o meu problema eu consegui resolver. Minha menina vai se medicar e se curar se Deus quiser.” 

Queria contar essa pequena história para te dizer que não é sempre que preciso que vocês políticos. Só procuro quando é a única alternativa. Vocês são eleitos para nos representar e nos ajudar. Posso até votar no senhor, mas se o senhor ganhar faça um favor: Peço que não deixe faltar médicos em minha comunidade e o principal: Ouça os pobres, pois só vamos à procura dos senhores quando não existe mais solução para nossos problemas. Obrigado. 

O candidato com lágrimas nos olhos só teve uma coisa a dizer naquele momento: “Essa será nossa prioridade”.

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