Certa vez um candidato estava a
visitar eleitores em uma comunidade na zona rural e um dos moradores
humildemente no momento das perguntas levantou a mão e exclamou: tenho uma
pergunta ao candidato! Pois não, diga o nome do senhor e em seguida fique a
vontade para perguntar. Meu nome é Damião. Nascido e criado aqui nessa
localidade. Os calos em minhas mãos mostram o que sempre meu pai me ensinou
desde pequeno. Meu velho pai me ensinou a trabalhar no pesado, plantando e
colhendo. Sonhando com chuva para a lavoura não perder. Esses calos em meus
dedos sofridos e essa pele velha e enrugada mostram uma pessoa velha por fora,
maltratada pelo sol do dia a dia. Candidato confesso ao senhor que sou sofrido
e nunca precisei de político nenhum, até uns meses atrás.
Minha filha mais nova
adoeceu e como não sabia do que se tratava procurei o posto de saúde aqui da
comunidade. Chegando lá me deparei com o posto trancado. Perguntei a um vizinho
do prédio e ele me disse: “Cumpade, aqui não tem médico atendendo já tá com mais
de mês. Leve sua menina para a rua se não ela desfalece aqui mesmo”. Assim eu
fiz candidato: Peguei o carro da linha e foi logo no amanhecer do dia, só eu e
minha caçula. Fui direto ao hospital. Ela foi atendida depois de muita espera e o
médico sem muito olhar para a menina receitou um remédio e na única vez que
olhou para mim só babujou: “duas vezes ao dia, se não melhorar volte.” Saí do
hospital com aquela receita na mão e minha menina fraca das pernas. Na primeira
farmácia perguntei o preço do medicamento e o rapaz disse que custava quarenta
e oito reais. Eu só andava com o dinheiro para retornar para o sítio. O homem
da farmácia foi até gente boa, pois alertou: “Passe na secretária de saúde que
esse medicamento eles dão de graça. É só o senhor apresentar a receita.”
Caminhava mais alegre cheio de esperança, ora ia conseguir o remédio e voltar
com hora de terminar minhas coisas no sítio. Me errei.
Cheguei já perto das dez
horas, próximo da hora do carro sair. Contei o caso e uma mulher lá não queria
me entregar o remédio, disse que não era dia de entregar remédio. Eu disse: “Traga
já esse remédio que a menina tá precisando. Se você não trouxer esse
medicamento vou reclamar com o prefeito.” Ela viu que eu não estava de
brincadeira e na mesma hora pediu desculpas e de deu o santo remédio de minha
menina. Indo pegar o carro para voltar para minhas terras sismei de passar na
prefeitura e reclamar diretamente ao prefeito, tanto da falta de médico lá em
minha comunidade, quando das formas mal educadas que me trataram lá no hospital
e na secretária de saúde. Ao me aproximar percebi logo que sucesso não ia ter.
Perguntei a um sujeito que estava na frente do prédio: “Amigo, o prefeito está?”
“Tá não” respondeu o abusado de chapéu que deveria estar mais encabulado que eu. “Se
aqui existir prefeito, esse por aqui eu nunca vi, eu só vejo falar.” Completou
a resposta. Naquela situação pensei com meus botões: “Bem, pelo menos o meu
problema eu consegui resolver. Minha menina vai se medicar e se curar se Deus
quiser.”
Queria contar essa pequena história para te dizer que não é sempre que
preciso que vocês políticos. Só procuro quando é a única alternativa. Vocês são
eleitos para nos representar e nos ajudar. Posso até votar no senhor, mas se o
senhor ganhar faça um favor: Peço que não deixe faltar médicos em minha
comunidade e o principal: Ouça os pobres, pois só vamos à procura dos senhores
quando não existe mais solução para nossos problemas. Obrigado.
O candidato com
lágrimas nos olhos só teve uma coisa a dizer naquele momento: “Essa será nossa
prioridade”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário