terça-feira, 10 de julho de 2012

Flor de Lís: As novas modas espirituais


Pode até nem parecer, mas eu tenho minha religiosidade e não consigo abrir mão dela assim tão fácil. Vejo com desconfiança a onda de crendices e misticismo que vem se espalhando por todas as camadas sociais. Estão inventando todo tipo de moda espiritual, do exorcismo ao curandeirismo virtual.


E o pior de tudo, é que este comportamento loucamente estranho parte, na maioria das vezes, de pessoas que se dizem esclarecidas. Respeito e admiro pessoas de fé e religiosidade, acredito que a crença de uma pessoa pode render efeitos benéficos à saúde do corpo e da alma, sem necessariamente abandonar os tratamentos médicos. Acontece, porém, que essas crenças da moda estão deixando o terreno da convicção individual de fé para tentar macular e até substituir a ciência. Ao invés de enfrentar os tratamentos clínicos muitas pessoas acabam apelando para rituais absurdos.

É muito fácil atribuir a culpa dessa desordem espiritual a uma característica cultural do povo brasileiro, que tem raízes em outras culturas, sobretudo a africana. Não é de se admirar. Tudo que não presta nesta terra, a culpa sempre foi jogada nas costas dos negros. Mas, existem muitos brancos charlatões munidos dessas informações para extorquir e ludibriar inofensivas criaturas de pouca fé no verdadeiro Deus.

Essas criaturas maquiavélicas estão num trabalho ferrenho usando a parte nebulosa das religiões para fazer fortuna. É a eterna sede humana por respostas fáceis para perguntas difíceis. Eu acho bem mais fácil acreditar em Deus do que na responsabilidade dos governantes, por isso é que outros espertalhões de plantão fazem crescer as crendices e misticismos a medida que os governos mostram-se ineficientes para cumprir suas funções. Muitas pessoas preferem recorrer as portas abertas dos milagres quando descobrem que a falência dos hospitais públicos tiram a população de uma assistência médica decente. A esperteza acaba substituindo o Estado nas obrigações não cumpridas.

É preciso começar a abrir os olhos para este tipo de comportamento. Em jogo, está a saúde e a sanidade mental de muita gente.

Jaqueline de Góis

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