Pode até nem parecer, mas eu
tenho minha religiosidade e não consigo abrir mão dela assim tão fácil. Vejo
com desconfiança a onda de crendices e misticismo que vem se espalhando por
todas as camadas sociais. Estão inventando todo tipo de moda espiritual, do
exorcismo ao curandeirismo virtual.
E o pior de tudo, é que este comportamento
loucamente estranho parte, na maioria das vezes, de pessoas que se dizem
esclarecidas. Respeito e admiro pessoas de fé e religiosidade, acredito que a
crença de uma pessoa pode render efeitos benéficos à saúde do corpo e da alma,
sem necessariamente abandonar os tratamentos médicos. Acontece, porém, que
essas crenças da moda estão deixando o terreno da convicção individual de fé
para tentar macular e até substituir a ciência. Ao invés de enfrentar os
tratamentos clínicos muitas pessoas acabam apelando para rituais absurdos.
É muito fácil atribuir a culpa
dessa desordem espiritual a uma característica cultural do povo brasileiro, que
tem raízes em outras culturas, sobretudo a africana. Não é de se admirar. Tudo que
não presta nesta terra, a culpa sempre foi jogada nas costas dos negros. Mas,
existem muitos brancos charlatões munidos dessas informações para extorquir e
ludibriar inofensivas criaturas de pouca fé no verdadeiro Deus.
Essas criaturas maquiavélicas estão
num trabalho ferrenho usando a parte nebulosa das religiões para fazer fortuna.
É a eterna sede humana por respostas fáceis para perguntas difíceis. Eu acho
bem mais fácil acreditar em Deus do que na responsabilidade dos governantes, por
isso é que outros espertalhões de plantão fazem crescer as crendices e
misticismos a medida que os governos mostram-se ineficientes para cumprir suas
funções. Muitas pessoas preferem recorrer as portas abertas dos milagres quando
descobrem que a falência dos hospitais públicos tiram a população de uma assistência
médica decente. A esperteza acaba substituindo o Estado nas obrigações não
cumpridas.
É preciso começar a abrir os
olhos para este tipo de comportamento. Em jogo, está a saúde e a sanidade mental
de muita gente.
Jaqueline de Góis

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