terça-feira, 17 de julho de 2012

Flor de Lís: O que é realmente Jazz?

Em meus sonhos ainda não realizados está o festival de Jazz de Guaramiranga/CE que acontece anualmente no período de festejos de Momo. Depois da MPB o que mais gosto de ouvir é o Jazz. Meu gosto por essa manifestação artístico-musical originária dos Estados Unidos teve inicio na adolescência. Na época havia inúmeras referencias a vários nomes, mitos e investimentos usando a expressão: Jazz Brasil. Na minha abelhudice revolucionaria anteamericana ficava torcendo para surgir um Jazz genuinamente brasileiro. 


Meu amigo Wandilson Ramalho, que me conhece como poucos achou estranho eu falar que entendo um pouco de Jazz. Pois é gente... Mesmo sendo fã do Tom Jobim e tendo ele aberto as portas para a música brasileira para este ritmo tão sedutor, nunca consegui me tornar grande conhecedora do Jazz, apesar de sempre achar necessário saber o que é Jazz. Uma tarefa meio árdua para quem não sabe, e quem sabe, também não sabe explicar.

Basta observar duas declarações de dois dos maiores nomes do Jazz. Lendo a biografia do primeiro gênio jazzístico Louis Armstrong ao definir Jazz foi sintético e sincero: “Quem não souber até hoje, nunca irá saber”. Parece que é verdade. Na época fiquei desapontada, mas adolescente é bicho teimoso e resolvi continuar minhas buscas até que alguns anos depois me deparei com uma entrevista feita ao violinista Stephane Grappelli, uma lenda vida do ritmo na época. No final a repórter Glória Maria pede para Stephane fazer sua definição do Jazz. A resposta foi: “Eu não sei. Você sabe?”. É para deixar qualquer um louco de ódio quem tem uma antipatia dessa como resposta. Já é típico das estrelas da boa música, não sei por quê. Temos grandes exemplos aqui no Brasil, basta fazer música de qualidade que perde a popularidade. MPB já deveria ser chamada de MEB (Música da Elite brasileira) por que de popular mesmo, a nossa música só tem o nome.

Durante todos os meus anos vividos aprendi algumas coisas sobre Jazz. Muito pouco diante do que gostaria de saber. Sei como, onde surgiu e os maiores nomes. Com certeza é a única coisa americana que aprecio. O Jazz chegou ao Brasil pelo rádio com toda força  que a cultura do Tio San adquiriu após a segunda guerra mundial.

A nossa Bossa Nova abriu o mercado do Jazz para os brasileiros e em qualquer enciclopédia de Jazz que se preze tem o nome do elegante Tom Jobim em seus verbetes. E eu sendo incondicionalmente fã desse gênio, tornei-me apreciadora, mas até hoje continuo sem saber definir com clareza o que é Jazz. E você sabe? Tem certeza?

Jaqueline de Góis

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