Em meus sonhos ainda não
realizados está o festival de Jazz de Guaramiranga/CE que acontece anualmente
no período de festejos de Momo. Depois da MPB o que mais gosto de ouvir é o Jazz.
Meu gosto por essa manifestação artístico-musical originária dos Estados Unidos
teve inicio na adolescência. Na época havia inúmeras referencias a vários
nomes, mitos e investimentos usando a expressão: Jazz Brasil. Na minha abelhudice
revolucionaria anteamericana ficava torcendo para surgir um Jazz genuinamente
brasileiro.
Meu amigo Wandilson Ramalho, que
me conhece como poucos achou estranho eu falar que entendo um pouco de Jazz.
Pois é gente... Mesmo sendo fã do Tom Jobim e tendo ele aberto as portas para a
música brasileira para este ritmo tão sedutor, nunca consegui me tornar grande
conhecedora do Jazz, apesar de sempre achar necessário saber o que é Jazz. Uma
tarefa meio árdua para quem não sabe, e quem sabe, também não sabe explicar.
Basta observar duas declarações
de dois dos maiores nomes do Jazz. Lendo a biografia do primeiro gênio jazzístico
Louis Armstrong ao definir Jazz foi sintético e sincero: “Quem não souber até hoje, nunca irá saber”. Parece que é verdade.
Na época fiquei desapontada, mas adolescente é bicho teimoso e resolvi
continuar minhas buscas até que alguns anos depois me deparei com uma
entrevista feita ao violinista Stephane Grappelli, uma lenda vida do ritmo na
época. No final a repórter Glória Maria pede para Stephane fazer sua definição
do Jazz. A resposta foi: “Eu não sei.
Você sabe?”. É para deixar qualquer um louco de ódio quem tem uma antipatia
dessa como resposta. Já é típico das estrelas da boa música, não sei por quê.
Temos grandes exemplos aqui no Brasil, basta fazer música de qualidade que perde
a popularidade. MPB já deveria ser chamada de MEB (Música da Elite brasileira)
por que de popular mesmo, a nossa música só tem o nome.
Durante todos os meus anos
vividos aprendi algumas coisas sobre Jazz. Muito pouco diante do que gostaria
de saber. Sei como, onde surgiu e os maiores nomes. Com certeza é a única coisa
americana que aprecio. O Jazz chegou ao Brasil pelo rádio com toda força que a cultura do Tio San adquiriu após a
segunda guerra mundial.
A nossa Bossa Nova abriu o
mercado do Jazz para os brasileiros e em qualquer enciclopédia de Jazz que se
preze tem o nome do elegante Tom Jobim em seus verbetes. E eu sendo
incondicionalmente fã desse gênio, tornei-me apreciadora, mas até hoje continuo
sem saber definir com clareza o que é Jazz. E você sabe? Tem certeza?
Jaqueline de Góis

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