Brasília – O ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, nunca
negociou compra de apoio parlamentar e desconhecia detalhes da
administração do PT enquanto ocupou o cargo no governo Luiz Inácio Lula
da Silva. Esses foram os argumentos apresentados hoje (6) pelo advogado
de Dirceu, José Luis de Oliveira Lima, durante o julgamento do mensalão
no Supremo Tribunal Federal (STF).
Oliveira Lima refutou as acusações do Ministério Público destacando que
as principais provas colhidas no processo – os depoimentos de mais de
500 testemunhas – desconstruíram a tese de que Dirceu foi o mentor do
mensalão. “O Ministério Público não comprovou sua tese não por
incompetência, mas porque não existiu a tão propalada compra de votos”.
O advogado confirmou a influência do ex-ministro no governo e no PT,
inclusive na negociação de cargos, mas lembrou que isso não é crime. O
mesmo argumento foi usado para explicar o bom trânsito de Dirceu com
empresários e representantes de instituições financeiras quando chefiava
a Casa Civil, incluindo Marcos Valério, que está sendo julgado por
intermediar as operações do chamado núcleo operacional com o núcleo
financeiro do esquema.
Oliveira Lima ainda argumentou que, apesar da influência política,
Dirceu não conhecia detalhes da gestão do PT. “Não estou afirmando que é
um homem sem importância [no partido], que não teve relevância, é
lógico que teve. Mas, quando assumiu a chefia da Casa Civil, deixou de
participar da vida do partido e quem fala isso não é a defesa, são as
testemunhas”.
A tática adotada pelo advogado para neutralizar os depoimentos contra
Dirceu foi desqualificar os autores. Foi o que aconteceu na referência a
Roberto Jefferson, principal acusador do ex-ministro, classificado como
"um homem eloquente, um belo orador, que conseguiu fazer um bom
teatro”.
Fonte: Agência Brasil.
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